{"id":604,"date":"2019-04-06T22:55:41","date_gmt":"2019-04-07T01:55:41","guid":{"rendered":"http:\/\/brasconta.com.br\/site\/?p=604"},"modified":"2019-04-20T16:19:28","modified_gmt":"2019-04-20T19:19:28","slug":"o-impacto-dos-tributos-na-formacao-do-preco-de-venda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brasconta.com.br\/site\/2019\/04\/06\/o-impacto-dos-tributos-na-formacao-do-preco-de-venda\/","title":{"rendered":"O impacto dos tributos na forma\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o de venda"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><strong>1. &#8211; INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong>[1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fixa\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o de venda das mercadorias ou produtos \u00e9 uma tarefa complexa, onde diversos fatores tendem a influenciar a sua determina\u00e7\u00e3o. Nesse contexto o custo de aquisi\u00e7\u00e3o ou produ\u00e7\u00e3o \u00e9 uma vari\u00e1vel que desempenha importante papel uma vez que, em condi\u00e7\u00f5es normais, o produto n\u00e3o deve ser vendido por um valor que esteja abaixo do pre\u00e7o de custo.<\/p>\n<p><strong>2 &#8211; ASPECTOS TRIBUT\u00c1RIOS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que o pre\u00e7o de venda seja fixado por um valor superior ao de seu custo de aquisi\u00e7\u00e3o ou produ\u00e7\u00e3o, a empresa dever\u00e1 transferir para o consumidor o \u00f4nus da incid\u00eancia dos tributos sobre o faturamento e o lucro da empresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os principais tributos a serem analisados s\u00e3o: imposto de renda das pessoas jur\u00eddicas (IRPJ), contribui\u00e7\u00e3o social sobre o lucro l\u00edquido (CSLL), as contribui\u00e7\u00f5es ao PIS e a COFINS, o ICMS e o IPI.<\/p>\n<p><strong>2.1 &#8211; IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS JUR\u00cdDICAS \u2013 IRPJ<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse imposto incide sobre a forma de tributa\u00e7\u00e3o adotada pela pessoa jur\u00eddica, ou seja, sobre o lucro real, presumido ou arbitrado. O imposto, em regra, \u00e9 apurado trimestralmente[2], mediante a aplica\u00e7\u00e3o da al\u00edquota de 15% sobre a base de c\u00e1lculo correspondente, acrescido do adicional de 10% quando a base de calculo do imposto ultrapassar a multiplica\u00e7\u00e3o do valor de R$ 20.000,00, pelo n\u00famero de meses do per\u00edodo de apura\u00e7\u00e3o[3]. O lucro real corresponde ao resultado (lucro ou preju\u00edzo) l\u00edquido apurado pela contabilidade da empresa ajustado por adi\u00e7\u00f5es, exclus\u00f5es e compensa\u00e7\u00f5es autorizadas ou admitidas pela legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lucro presumido ou arbitrado corresponde a uma presun\u00e7\u00e3o obtida mediante a aplica\u00e7\u00e3o de percentuais, vari\u00e1veis conforme o ramo de atividade da empresa, sobre o valor da receita bruta da pessoa jur\u00eddica.<\/p>\n<p><strong>2.2 \u2013 CONTRIBUI\u00c7\u00c3O SOCIAL SOBRE O LUCRO L\u00cdQUIDO \u2013 CSLL<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 calculada de forma similar ao IRPJ. Para as empresas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, a base de c\u00e1lculo corresponder\u00e1 a 12%[4]. A al\u00edquota da contribui\u00e7\u00e3o a ser aplicada sobre a base de c\u00e1lculo correspondente ser\u00e1 de 9%[5].<\/p>\n<p><strong>2.3 \u2013 PIS E COFINS<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o contribui\u00e7\u00f5es mensais que incidem sobre o faturamento da empresa.<\/p>\n<p>As al\u00edquotas das mencionadas contribui\u00e7\u00f5es s\u00e3o:<\/p>\n<p><b>I) PIS<\/b><\/p>\n<p>a) 0,65% fatos geradores ocorridos at\u00e9 30-11-2002, independentemente da modalidade de tributa\u00e7\u00e3o adotada pela empresa.<\/p>\n<p>b) Para fatos geradores ocorridos a partir de 01-12-2002:<\/p>\n<p>\u2022 1,65% para as empresas sujeitas \u00e0 incid\u00eancia n\u00e3o-cumulativa[6]; e<\/p>\n<p>\u2022 0,65% para as empresas sujeitas \u00e0 incid\u00eancia cumulativa.<\/p>\n<p><b>II) COFINS<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) 3% fatos geradores ocorridos at\u00e9 31-01-2004, independentemente da modalidade de tributa\u00e7\u00e3o adotada pela empresa.<\/p>\n<p>d) Para fatos geradores ocorridos a partir de 01-02-2004:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 7,6% para as empresas sujeitas \u00e0 incid\u00eancia n\u00e3o-cumulativa; e 3% para as empresas sujeitas \u00e0 incid\u00eancia cumulativa.<\/p>\n<p><strong>2.4 \u2013 ICMS E IPI<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Correspondem a tributos n\u00e3o cumulativos. Sendo o ICMS um imposto de compet\u00eancia estadual suas al\u00edquotas variam menos do que as do IPI, que \u00e9 um imposto seletivo[7].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente do ICMS, o IPI n\u00e3o integra o valor da receita bruta assim, n\u00e3o faz base de c\u00e1lculo para as contribui\u00e7\u00f5es ao PIS e a COFINS. Cabe lembrar, por pertinente, que o ICMS \u00e9 um tributo calculado \u201dpor dentro[8]\u201d (incide sobre o pre\u00e7o de venda no qual se inclui o pr\u00f3prio ICMS), enquanto que o IPI \u00e9 calculado \u201cpor fora\u201d (incide sobre o pre\u00e7o de venda no qual n\u00e3o est\u00e1 inclu\u00eddo o valor do IPI), observe o exemplo abaixo:<\/p>\n<p><b>NOTA FISCAL DE VENDA DE MAT\u00c9RIA PRIMA PARA ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL<\/b><\/p>\n<p>\u2022 Valor Bruto &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; R$ 100.000,00<\/p>\n<p>\u2022 (+) IPI (supondo al\u00edquota de 20%) &#8230;&#8230;&#8230;&#8230; R$ 20.000,00<\/p>\n<p>\u2022 (=) Total da NF &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. R$ 120.000,00<\/p>\n<p>\u2022 ICMS Destacado &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. R$ 18.000,00[9]<\/p>\n<p><b>CONTABILIZA\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p><b>a) OPERA\u00c7\u00c3O DE VENDA A PRAZO<\/b><\/p>\n<p>Duplicatas a Receber 120.000,00<\/p>\n<p>a Diversos<\/p>\n<p>a Receita de Vendas \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0100.000,00<\/p>\n<p>a IPI a Recolher \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a020.000,00<\/p>\n<p><b>b) ICMS INCIDENTE NA OPERA\u00c7\u00c3O DE VENDA<\/b><\/p>\n<p>ICMS sobre Vendas (Resultado)<\/p>\n<p>a ICMS a Recolher (Passivo Circulante) 18.000,00<\/p>\n<p><b>c) PIS N\u00c3O CUMULATIVO INCIDENTE NA OPERA\u00c7\u00c3O DE VENDA<\/b><\/p>\n<p>PIS Dedu\u00e7\u00e3o da Receita Bruta (Resultado)<\/p>\n<p>a PIS a Recolher (Passivo Circulante) 1.650,00<\/p>\n<p><b>d) COFINS N\u00c3O CUMULATIVO INCIDENTE NA OPERA\u00c7\u00c3O DE VENDA<\/b><\/p>\n<p>PIS dedu\u00e7\u00e3o da Receita Bruta (resultado)<\/p>\n<p>a PIS a Recolher (Passivo Circulante) 7.600,00<\/p>\n<p><b>Notas:<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>1\u00aa)\u00a0<\/b>Do valor devido ao IPI e ao ICMS a empresa poder\u00e1 abater o valor de tais tributos (recuper\u00e1veis) incidentes sobre a aquisi\u00e7\u00e3o das mercadorias ou insumos de produ\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>2\u00aa)\u00a0<\/b>as contribui\u00e7\u00f5es ao PIS e a COFINS foram calculadas considerando que a empresa seja contribuinte na modalidade n\u00e3o-cumulativa. Nesta hip\u00f3tese ela tamb\u00e9m poder\u00e1 abater do valor a recolher, os cr\u00e9ditos de tais contribui\u00e7\u00f5es calculados na forma da legisla\u00e7\u00e3o em vigor;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>3\u00aa)\u00a0<\/b>caso a venda fosse efetuada a consumidor final o valor do ICMS incidiria sobre o valor total da nota fiscal incluindo o valor do IPI onerando, assim, o pre\u00e7o final do bem.<\/p>\n<p><strong>3 \u2013 CASO PR\u00c1TICO &#8211; FIXA\u00c7\u00c3O DO PRE\u00c7O DE VENDA<\/strong><\/p>\n<p>Suponha que em uma determinada empresa:<\/p>\n<p>a) o produto tenha um custo unit\u00e1rio total de R$ 137,50;<\/p>\n<p>b) a margem de lucro a ser aplicada sobre o pre\u00e7o de custo seja de 100%;<\/p>\n<p>c) a al\u00edquota do ICMS seja de 18%;<\/p>\n<p>d) a al\u00edquota do IPI seja de 20%;<\/p>\n<p>e) as al\u00edquotas n\u00e3o-cumulativas do PIS e da COFINS s\u00e3o 1,65% e 7,6%, respectivamente; e<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">f) no ano calend\u00e1rio anterior o percentual do IRPJ e da CSLL em rela\u00e7\u00e3o ao valor da receita bruta operacional \u00e9 de 2,5% e 1,5%, respectivamente.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o de venda do produto (PVP), sem o valor dos tributos, seria:<\/p>\n<p><b>PVP\u00a0<\/b>= R$ 137,50 + 100%, logo o\u00a0<b>PVP\u00a0<\/b>seria de\u00a0<b>R$ 275,00<\/b>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se esta empresa quiser fixar seu pre\u00e7o de Venda (PV) de forma a repassar todos os tributos para o comprador, a f\u00f3rmula ser\u00e1:<\/p>\n<p><b>PV\u00a0<\/b>= PVP + ICMS + PIS + COFINS + IPI + CSLL + IRPJ<\/p>\n<p>O percentual acumulado dos tributos e contribui\u00e7\u00f5es incidentes sobre a receita bruta \u00e9 de:<\/p>\n<p>a)\u00a0<b>4% (<\/b>2,5% + 1,5%)<b>,\u00a0<\/b>para o IRPJ e CSLL (ver a letra &#8220;f&#8221; dos dados);<\/p>\n<p>b)\u00a0<b>27,25%\u00a0<\/b>(18% + 7,6% + 1,65%)<b>,\u00a0<\/b>para o ICMS, PIS e COFINS (c\u00e1lculo por dentro);<\/p>\n<p>c)\u00a0<b>20%,\u00a0<\/b>para o IPI (calculo por fora).<\/p>\n<p>Posto isto, o pre\u00e7o de venda corresponder\u00e1:<\/p>\n<p><b>a) Calculando os tributos IRPJ, CSLL, ICMS, PIS e COFINS<\/b><\/p>\n<p><b>Percentual total de 31,25% =\u00a0<\/b>(4% + 27,25%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Calculando o valor por dentro o percentual total ser\u00e1 de\u00a0<b>68,75%\u00a0<\/b>(100% &#8211; 31,25%). Assim, o valor do pre\u00e7o de venda antes do c\u00e1lculo do IPI ser\u00e1 de\u00a0<b>R$ 400,00\u00a0<\/b>(R$ 275,00 : 68,75%).<\/p>\n<p><b>b) PRE\u00c7O DE VENDA AP\u00d3S O C\u00c1LCULO DO IPI<\/b><\/p>\n<p><b>R$ 480,00\u00a0<\/b>= R$ 400,00 + 20%<\/p>\n<p>3.1 &#8211; DECOMPOSI\u00c7\u00c3O DO PRE\u00c7O DE VENDA<\/p>\n<p>Utilizando os dados anteriores podemos decompor o pre\u00e7o de venda de R$ 480,00<\/p>\n<p>(incluindo o valor do IPI) da seguinte forma:<\/p>\n<p>Custo unit\u00e1rio total &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. R$ 137,50<\/p>\n<p>Margem de lucro da empresa 100% &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. R$ 137,50<\/p>\n<p>Tributos constantes no pre\u00e7o de venda:<\/p>\n<p>\u2022 ICMS (18% x R$ 400,00) &#8230;&#8230;&#8230;. R$ 72,00<\/p>\n<p>\u2022 PIS (1,65% x R$ 400,00) &#8230;&#8230;&#8230;. R$ 6,60<\/p>\n<p>\u2022 COFINS (7,6% x R$ 400,00) &#8230;. R$ 30,40<\/p>\n<p>\u2022 IRPJ e CSLL (4% x R$ 400,00). R$ 16,00<\/p>\n<p>\u2022 IPI (20% x R$ 400,00) &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. R$ 80,00 &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. R$ 205,00<\/p>\n<p><b>Valor total da venda (incluindo o IPI) &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. R$ 480,00<\/b><\/p>\n<p><b>DISTRIBUI\u00c7\u00c3O DO VALOR TOTAL DA VENDA<\/b><\/p>\n<p><b>Elementos<\/b><\/p>\n<p><b>Valores R$\u00a0<\/b>%<\/p>\n<p>Valor do Custo<\/p>\n<p>137,50<\/p>\n<p>28,6<\/p>\n<p>Margem de Lucro Bruto (empresa)<\/p>\n<p>137,50<\/p>\n<p>28,6<\/p>\n<p>Tributos (Governo Federal)<\/p>\n<p>205,00<\/p>\n<p>42,8<\/p>\n<p>Valor total da Nota Fiscal<\/p>\n<p><b>480,00<\/b><\/p>\n<p><b>100<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim \u00e9 f\u00e1cil perceber quanto o valor dos tributos oneram o pre\u00e7o de venda da empresa. Na maior parte dos casos para conseguir vender seus produtos no mercado nacional (retra\u00eddo e sem condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e financeiras para que a popula\u00e7\u00e3o tenha condi\u00e7\u00f5es de adquirir determinadas mercadorias, produtos ou servi\u00e7os) a empresa \u00e9 obrigada a reduzir, violentamente, sua margem de lucro e conseq\u00fcentemente seu pre\u00e7o de venda, em raz\u00e3o da excessiva carga tribut\u00e1ria e das condi\u00e7\u00f5es peculiares e particulares da economia nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem d\u00favida, em raz\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o em que se encontra o mercado nacional, talvez a \u00fanica sa\u00edda poss\u00edvel seja a exporta\u00e7\u00e3o, ou seja, a venda de mercadorias, produtos e servi\u00e7os para o mercado externo. Nesta hip\u00f3tese, nossa pol\u00edtica de exporta\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m, conta com um agravante que \u00e9 a sistem\u00e1tica adotada pelos pa\u00edses estrangeiros que incentivam a exporta\u00e7\u00e3o mediante cr\u00e9ditos de tributos sobre o valor exportado. No Brasil, al\u00e9m da onera\u00e7\u00e3o violentamente do pre\u00e7o de venda dos bens, pela incid\u00eancia de tributos e contribui\u00e7\u00f5es incidentes sobre o valor da receita bruta, existe uma carga adicional que incide sobre o pre\u00e7o de custo dos bens (examinaremos a mat\u00e9ria em tela no pr\u00f3ximo item deste anexo).<\/p>\n<p><b>Notas:<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>1\u00aa)\u00a0<\/b>com a edi\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 10.865, de 30-04-2004, as contribui\u00e7\u00f5es ao PIS e a COFINS foram desoneradas nas exporta\u00e7\u00f5es. A mencionada legisla\u00e7\u00e3o isentou as exporta\u00e7\u00f5es realizadas no mercado nacional da incid\u00eancia de tais contribui\u00e7\u00f5es, mantendo o cr\u00e9dito de tais tributos na forma da legisla\u00e7\u00e3o em vigor desde que as mercadorias, produtos, insumos e servi\u00e7os venham a ser, efetivamente, exportadas;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>2\u00aa)\u00a0<\/b>a Lei n\u00ba 10.865, de 2004, criou tamb\u00e9m a tributa\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es ao PIS e a COFINS quando da importa\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os do exterior. Sem qualquer crit\u00e9rio de exce\u00e7\u00e3o a legisla\u00e7\u00e3o em vigor tributa bens que ser\u00e3o utilizados para a fabrica\u00e7\u00e3o de produtos, mercadorias e insumos destinados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o onerando, assim, indiretamente, o valor dos bens exportados uma vez que nem todas as empresas poder\u00e3o utilizar o valor pago nas importa\u00e7\u00f5es como cr\u00e9dito a ser descontado do valor devido no mercado interno (as empresas tributadas com base no lucro presumido n\u00e3o podem se creditar das contribui\u00e7\u00f5es pagas na importa\u00e7\u00e3o, dessa forma, quando exportarem seus produtos estes estar\u00e3o onerados com o valor das contribui\u00e7\u00f5es pagas quando da importa\u00e7\u00e3o dos bens mencionados).<\/p>\n<p><strong>4 \u2013 TRIBUTOS INCIDENTES NAS AQUISI\u00c7\u00d5ES DE BENS E SERVI\u00c7OS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante destacar, tamb\u00e9m, que o pre\u00e7o de custo mencionado no item precedente (3) tamb\u00e9m \u00e9 onerado por carga elevada de impostos e contribui\u00e7\u00f5es relativos a tributos n\u00e3o recuper\u00e1veis, bem como, pelo elevad\u00edssimo valor dos insumos com pre\u00e7os p\u00fablicos administrados pelo governo (\u00e1gua, luz, telefone, g\u00e1s, correios e tantos outros) cujos pre\u00e7os invariavelmente sobem bem acima da infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo.<\/p>\n<p><strong>4.1 &#8211; TRIBUTOS N\u00c3O RECUPER\u00c1VEIS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe uma parcela de tributos pagos pela empresa como contribuinte de fato e que oneram o pre\u00e7o de custo dos bens. Podemos destacar entre eles os seguintes:<\/p>\n<p><strong>ICMS e IPI<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s da edi\u00e7\u00e3o da Lei Complementar n\u00ba 87, de 1996 (Lei Kandir) o governo autorizou o cr\u00e9dito do ICMS para as mercadorias destinadas ao uso e consumo do estabelecimento, nele entradas a partir de 01-01-1998. Por\u00e9m, o cr\u00e9dito do ICMS incidente sobre tais aquisi\u00e7\u00f5es vem sendo adiado, sucessivamente, por diversas Leis Complementares (n\u00ba 92, de 1997; 99, de 1999; 102, de 2000 e finalmente 114, de 2002 que transferiu o in\u00edcio da vig\u00eancia do cr\u00e9dito de ICMS para 1\u00ba de janeiro de 2007). A Lei Complementar n\u00ba 87, de 1996, autorizou, ainda, o cr\u00e9dito do ICMS nas entradas destinadas ao ativo permanente do estabelecimento, nele entradas a partir de 01-11-1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Lei Complementar n\u00ba 102, de 2000, alterou a utiliza\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito do ICMS incidente sobre a entrada de bens para o ativo permanente da empresa (investimento na atividade produtiva) para 48 meses. Assim, para fatos geradores ocorridos a partir de 01-01-2001, o cr\u00e9dito ser\u00e1 efetuado \u00e0 raz\u00e3o de 1\/48 av\u00f3s por m\u00eas, dessa forma, o governo inverte a l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o, ou seja,\u00a0<b>ao fazer investimentos em bens de capital a empresa \u00e9 penalizada<\/b>, pois tem que financiar o valor do ICMS cobrado pelo governo estadual em 48 meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com rela\u00e7\u00e3o ao IPI, este tributo incide sobre os insumos adquiridos por estabelecimentos industriais e comerciais. Os estabelecimentos comerciais n\u00e3o podem recuperar o valor deste tributo quando da venda dos seus bens assim, tal qual o ICMS incidente sobre os bens destinados a uso e consumo. Desta forma, os tributos pagos sobre essas aquisi\u00e7\u00f5es constitu\u00edram custo para a empresa (custo sobre o qual ser\u00e1 calculada a margem de lucro e todos os tributos que incidiram sobre a venda).<\/p>\n<p><strong>ISS, ITR, IPTU, CPMF, IPVA, CIDE e OUTROS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes tributos (n\u00e3o recuper\u00e1veis) tamb\u00e9m constitu\u00edram despesa ou custo para as empresas. Assim, sobre o valor do custo de produ\u00e7\u00e3o (onerado pelos tributos elencados neste item) incidir\u00e1 a margem de lucro da empresa e todos os tributos e contribui\u00e7\u00f5es incidentes sobre o valor da receita bruta da empresa, onerando consideravelmente o pre\u00e7o dos bens para a sociedade como um todo. Agrega-se a estes tributos as contribui\u00e7\u00f5es cumulativas ao PIS e a COFINS para as empresas tributadas com base no Lucro Presumido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"justify\"><strong>Notas:<\/strong><\/div>\n<div align=\"justify\">[1]\u00a0Mat\u00e9ria escrita por\u00a0<i>Silv\u00e9rio das Neves\u00a0<\/i>publicada no Boletim Tribut\u00e1rio Fisco e Contribuinte n\u00ba 36\/2006.<\/div>\n<div align=\"justify\">[2]\u00a0A empresa tributada com base no lucro real poder\u00e1 determin\u00e1-lo anualmente desde que efetue pagamentos mensais calculados por estimativa.<\/div>\n<div align=\"justify\">[3]\u00a0O per\u00edodo de apura\u00e7\u00e3o, em regra, \u00e9 trimestral, salvo se a empresa, tributada com base no lucro real, optar pela apura\u00e7\u00e3o anual mediante o recolhimento mensal do imposto calculado por estimativa.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">[4]\u00a0Para fatos geradores ocorridos a partir de 01-09-2003, o percentual ser\u00e1 de 32% para as empresas que desenvolvam as seguintes atividades;\u00a0<i>Factoring<\/i>, Intermedia\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios, Presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os em geral (exceto os hospitalares) e Administra\u00e7\u00e3o, loca\u00e7\u00e3o ou cess\u00e3o de bens im\u00f3veis, m\u00f3veis e direitos de qualquer natureza.<\/div>\n<div align=\"justify\">[5]\u00a0Para as empresas em geral (exceto as entidades financeiras e assemelhadas) essa al\u00edquota foi de 8% no per\u00edodo de 01-01-1999 a 30-04-1999; 12% no per\u00edodo de 01-05-1999 a 31-01-2000; 9% para fatos geradores ocorridos a partir de 01-02-2000. A partir do ano-calend\u00e1rio de 2003 as empresas (tributadas com base no lucro real ou presumido) adimplentes com os tributos e contribui\u00e7\u00f5es administrados pela Receita Federal nos \u00faltimos cinco anos-calend\u00e1rio far\u00e3o jus a um desconto de 1% denominado b\u00f4nus de adimpl\u00eancia fiscal.<\/div>\n<div align=\"justify\">[6]\u00a0Em regra, as empresas tributadas com base no lucro real devem recolher as contribui\u00e7\u00f5es ao PIS e a COFINS na modalidade n\u00e3o-cumulativa e as demais empresas na modalidade cumulativa.<\/div>\n<div align=\"justify\">[7]\u00a0Imposto cujas al\u00edquotas variam inversamente \u00e0 essencialidade das mercadorias ou produtos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">[8]\u00a0Nos tributos calculados por dentro a al\u00edquota real \u00e9 superior a al\u00edquota nominal fixada, ou seja, no caso do ICMS a al\u00edquota nominal de 18%, corresponde \u00e0 al\u00edquota real de 21,95%.<\/div>\n<div align=\"justify\">[9]\u00a0Caso a venda fosse efetuada a consumidor final o ICMS incidiria sobre o valor total da nota fiscal incluindo o valor do IPI, ou seja, seria no exemplo em tela de\u00a0<b>R$ 21.600,00\u00a0<\/b>(18% sobre R$ 120.000,00).<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. &#8211; INTRODU\u00c7\u00c3O[1] A fixa\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o de venda das mercadorias ou produtos \u00e9 uma tarefa complexa, onde diversos fatores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":962,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[30],"tags":[],"class_list":["post-604","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-tributarias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/brasconta.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/604","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/brasconta.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/brasconta.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/brasconta.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/brasconta.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=604"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/brasconta.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/604\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":964,"href":"https:\/\/brasconta.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/604\/revisions\/964"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/brasconta.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/962"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/brasconta.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=604"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/brasconta.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=604"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/brasconta.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=604"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}